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XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira: 18 de julho a 30 de dezembro de 2026

XXIII Bienal Internacional de Arte de Cerveira
20 de julho a 30 de dezembro de 2024
Vila Nova de Cerveira

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Iniciativa regressa com exposições, projetos curatoriais, residências artísticas, conferências e atividades de mediação cultural

A Bienal Internacional de Arte de Cerveira (BIAC) está de regresso a Vila Nova de Cerveira para a sua XXIV edição, entre 18 de julho e 30 de dezembro de 2026. O evento de arte contemporânea mais antigo do país apresenta-se sob o mote “Territórios sem Fronteira”, propondo uma reflexão alargada sobre a fronteira enquanto construção geográfica, política, social, mental e simbólica.

Partindo da condição singular de Vila Nova de Cerveira, território historicamente marcado pela proximidade entre Portugal e a Galiza, a BIAC afirma-se, nesta edição, como espaço internacional de diálogo, circulação e pensamento crítico. Mais do que um limite, a fronteira surge como lugar de passagem, negociação e transformação, onde se cruzam memória e deslocação, pertença e desenraizamento, conflito e possibilidade.

Sob direção artística de Mafalda Santos, a XXIV edição reúne uma programação multidimensional, que integra o Concurso Internacional, exposições de artistas convidados, integrando algumas obras inéditas, uma homenagem a Silvestre Pestana, projetos curatoriais, polos externos, residências artísticas, conferências, oficinas e iniciativas de mediação cultural. Ao longo de mais de cinco meses, a Bienal volta a convocar artistas, curadores, investigadores, comunidades e públicos para refletir sobre o modo como habitamos, atravessamos e imaginamos o mundo contemporâneo.

Concurso Internacional reúne artistas de 14 nacionalidades

Um dos principais núcleos da BIAC passa pela exposição resultante do XXIV Concurso Internacional, que nesta edição reúne 36 artistas de 14 nacionalidades, afirmando-se como uma plataforma internacional de reflexão sobre a fronteira no mundo contemporâneo.

Integrada no tema “Territórios sem Fronteira”, a exposição propõe uma leitura da fronteira enquanto espaço expandido, não apenas geográfico, mas também simbólico, político, corporal e ecológico. As obras selecionadas exploram a fronteira como lugar de passagem, tensão, memória e transformação, convocando questões centrais do presente, como a migração, o pós-colonialismo, a identidade, o território e as relações entre o físico e o virtual.

A seleção distingue-se pela sua diversidade geográfica e geracional, reunindo artistas provenientes da Europa, América Latina, África e Ásia. Portugal, Espanha e Brasil assumem uma presença particularmente expressiva, reforçando o eixo ibérico e lusófono da Bienal, no entanto a exposição integra também propostas de artistas ligados a países como Moçambique, Equador, Taiwan, São Tomé e Príncipe, França, China, Venezuela, Estados Unidos da América e Peru.

No plano disciplinar, a exposição evidencia uma forte presença de linguagens instalativas, audiovisuais e híbridas. Da instalação à performance, do vídeo à pintura, da fotografia ao têxtil, as obras selecionadas refletem a complexidade das práticas artísticas contemporâneas e a forma como diferentes gerações de artistas respondem hoje ao conceito de fronteira. A mostra conta com curadoria de Mafalda Santos, que integrou também o júri, ao qual se juntaram nomes como Juan Luis Toboso, Maria do Mar Fazenda, Susana Gaudêncio e Susana González.

Silvestre Pestana homenageado com exposição “Luso Lunar”

Entre os momentos centrais da programação está também a exposição “Luso Lunar”, dedicada a Silvestre Pestana. Figura incontornável e pioneira da arte contemporânea portuguesa, o artista detém o estatuto singular de ter marcado presença em todas as edições da BIAC desde a sua fundação, em 1978.

Com curadoria de Mafalda Santos e João Ribas, diretor executivo do Roy and Edna Disney CalArts Theater (REDCAT), em Los Angeles, a exposição propõe uma leitura transversal de um percurso que cruza diferentes disciplinas e linguagens, do analógico ao tecnológico, do poético ao político. Reunindo obras produzidas desde o início da década de 1970 até à atualidade, “Luso Lunar” reafirma a atualidade de uma obra marcada pela experimentação, pela relação entre corpo e linguagem e pela interrogação crítica do território.

Em destaque estará a emblemática escultura em néon “Rio: Água e Sangue” (2003), apresentada originalmente na XII BIAC, que sintetiza uma das linhas estruturantes do trabalho do artista.

“¿De qué casa eres?” pensa a diáspora, a memória e a deslocação

Outro dos núcleos centrais da XXIV edição da BIAC é representado pela exposição “¿De qué casa eres?”, com curadoria de Mafalda Santos e Manuel Santos Maia. Partindo da obra homónima de Ana Pérez-Quiroga, o projeto reúne artistas cujas práticas se desenvolvem entre países, culturas, línguas e experiências de deslocação.

A exposição constrói-se em torno da ideia de diáspora, não apenas enquanto fenómeno migratório, mas como condição afetiva, política e existencial. Reunindo artistas portugueses radicados no estrangeiro, criadores estrangeiros, que encontraram em Portugal um lugar de produção e pertença, e artistas cuja obra emerge das zonas híbridas entre territórios e identidades, a mostra aborda temas como migração, pós-colonialismo, memória, circulação cultural e construção de identidades múltiplas.

Ao cruzar instalação, vídeo, pintura, escultura, som, performance e intervenção no espaço público, “¿De qué casa eres?” propõe uma leitura abrangente da contemporaneidade enquanto território em permanente negociação.

Projetos curatoriais e polos externos alargam a Bienal ao território

A programação da edição deste ano integra ainda diferentes projetos curatoriais e polos externos, alargando a experiência da Bienal a vários espaços do concelho. No Museu Bienal de Cerveira será apresentado o Pavilhão de Macau – Error Island, de Cai Guojie, com curadoria de Kathine Cheong Weng Lam, reforçando a dimensão internacional e transdisciplinar da XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira.

A programação contará ainda com a participação especial de ORLAN, que, nos dias 16 e 17 de outubro, realizará uma conferência e apresentará uma reinterpretação da histórica performance “S’habiller de sa propre nudité”. A presença da artista constitui um dos momentos de destaque da Bienal, trazendo a Cerveira uma das figuras mais influentes da arte contemporânea e da performance internacional.

Fora do núcleo central, o Convento de San Payo receberá, de 12 de junho a 27 de setembro, “A-SALTO: vemo-nos no fim do mundo”, projeto com curadoria dos alunos do 3.º ano de Práticas Expositivas da Escola de Arquitetura, Arte e Design da Universidade do Minho, sob orientação de Luísa Abreu e Susana Gaudêncio.

Por sua vez, e resultantes de residências artísticas desenvolvidas no âmbito da XXIV BIAC, duas exposições evidenciam a importância da criação em contexto e do diálogo com o território.

Na Biblioteca Municipal de Vila Nova de Cerveira, “Vai-Vem”, com curadoria de Mafalda Santos, reúne, de 18 de julho a 30 de agosto, trabalhos de Cláudia Varejão, Eric Fok e Mariana Maia Rocha, desenvolvidos a partir de processos de investigação e de proximidade com as diferentes freguesias do concelho. Já na Galeria Bienal de Cerveira, “Ocre”, de Alexandre Delmar, apresenta, de 18 de julho a 30 de dezembro, o resultado da residência artística “Na Contrabanda”. Realizado na Serra d’Arga, onde o artista trabalhou em estreita colaboração com a comunidade local, nomeadamente com o Grupo de Bombos Divino Salvador de Covas, o projeto percorre a memória da exploração mineira do volfrâmio e as relações entre paisagem, som e território.

BIOGRAF’26 cruza cinema e arte contemporânea

Entre 7 e 9 de agosto, a BIAC apresenta uma secção dedicada ao cinema através do projeto BIOGRAF’26, que pretende estabelecer um diálogo entre práticas cinematográficas e artísticas contemporâneas. O programa reforça a relação histórica entre Vila Nova de Cerveira e a experimentação interdisciplinar, aproximando o cinema independente, documentário, ensaio fílmico e práticas artísticas.

Ao longo de três dias, o Festival BIOGRAF organiza-se em torno dos três eixos fundamentais desta edição: “Homenagem”, “Artistas Convidados” e “Concurso Internacional”. A programação inclui exibições, conversas com artistas e realizadores e momentos performativos, afirmando o cinema como prática crítica e sensível capaz de prolongar e intensificar as questões centrais do tema “Territórios sem Fronteira”.

No primeiro dia, dedicado à homenagem a Silvestre Pestana, será apresentado “Silvestre no meio do inverno”, da autoria de Uma Certa Falta de Coerência, seguindo-se uma conversa com André Sousa, Mauro Cerqueira e Silvestre Pestana. A estreia do festival termina com o concerto “Pautas”, com Supernova Ensemble & Silvestre Pestana.

O segundo dia do BIOGRAF destaca os Artistas Convidados, com a apresentação de obras de António Ole, Filipa César, Luciana Fina e Ana Pérez-Quiroga, terminando com uma conversa com as duas últimas artistas. Já o terceiro dia será dedicado ao Concurso Internacional, reunindo trabalhos de Edileuza Penha de Souza, Vincent Arthur Goudreau e Javier Arturo Martinez, e Tânia Dinis, bem como uma conversa com alguns dos artistas participantes.

Residências artísticas reforçam ligação às comunidades

A programação da XXIV BIAC contempla diferentes ciclos de residências artísticas, reforçando a sua ligação ao território e às comunidades locais. O projeto “Matéria-Origem: Arquivos Vivos”, desenvolvido em parceria com a Satsang Natura e a Fundação Bienal de Arte de Cerveira, propõe uma aproximação à memória, à matéria e aos processos de criação a partir do contexto local.

Também o ciclo “Vai-Vem” leva residências artísticas às 15 freguesias do concelho de Vila Nova de Cerveira, numa estratégia de descentralização que procura aproximar a criação contemporânea das comunidades e dos diferentes lugares que compõem o território.

A programação integra ainda projetos associados a Cidades Convidadas, incluindo “Transbordo – Santiago de Compostela”, que estendeu a programação da Bienal ao espaço público através de um ciclo de performances com curadoria de Iñaki Martínez Antelo. Reunindo artistas da Galiza e de outros contextos internacionais, o projeto explora temas como a mobilidade, a identidade, a pertença e a transformação, reforçando a dimensão participativa, relacional e internacional da XXIV BIAC. Já o programa “Transbordo – Luanda, de várias Luandas”, veio reforçar o diálogo internacional e a atenção às geografias da circulação, da memória e da criação partilhada.

Ateliers, conferências e mediação cultural completam a programação

Para além das exposições e projetos curatoriais, a BIAC apresenta um programa complementar de oficinas, ateliers livres, conferências e atividades de mediação cultural.

A programação inclui ateliers de gravura, pintura e atividades dirigidas ao público infantil, bem como iniciativas que procuram aproximar diferentes públicos da arte contemporânea e dos temas propostos pela edição deste ano.

Ao longo dos meses de programação, a Bienal acolherá ainda momentos de reflexão e debate, incluindo conferências dedicadas às questões da contemporaneidade artística e cultural, mantendo a vocação da BIAC enquanto espaço de pensamento crítico, criação e encontro entre diferentes geografias, linguagens e gerações.

Criada em 1978, a Bienal Internacional de Arte de Cerveira reafirma, na sua XXIV edição, o seu papel enquanto uma das principais plataformas de arte contemporânea em Portugal. Num mundo marcado pela circulação, pela instabilidade e pela redefinição das fronteiras políticas e simbólicas, “Territórios sem Fronteira” propõe a arte como lugar de escuta, imaginação e resistência.

Apoio: República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes