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Bienal de Cerveira leva ciclo de performances ao espaço público

Ana Gesto, “Ressonancias do baleiro” 2026

Entre 21 e 23 de agosto, o ciclo “Transbordo – Santiago de Compostela” reúne artistas da Galiza, que fazem da Vila das Artes um novo palco

Depois do cinema e das oficinas de verão, a programação da XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira (BIAC) continua a ocupar novos territórios. Entre 21 e 23 de agosto, o ciclo de performances “Transbordo – Santiago de Compostela” leva a arte contemporânea para o centro histórico de Vila Nova de Cerveira, propondo um conjunto de intervenções que convidam o público a descobrir novas formas de relação entre criação artística, território e comunidade.

Um projeto que aproxima territórios

Integrado no programa Cidades Convidadas da XXIV BIAC, “Transbordo – Santiago de Compostela” constitui uma extensão para o espaço público do projeto Transbordo, desenvolvido pela Bienal para reforçar o intercâmbio artístico entre diferentes cidades, geografias e contextos culturais. A escolha de Santiago de Compostela surge de forma natural, refletindo a histórica ligação entre a Galiza e Vila Nova de Cerveira e o carácter transfronteiriço que inspira esta edição da Bienal.

Com curadoria de Iñaki Martínez Antelo, o ciclo reúne artistas provenientes da Galiza e de outros contextos internacionais, cujas propostas exploram temas como a mobilidade, a identidade, a pertença e a transformação. Ao ocupar ruas, praças e equipamentos culturais da vila, o projeto convida o público a percorrer o espaço urbano através da arte contemporânea e a descobrir novas formas de olhar e interpretar o território.

A Vila das Artes transforma-se num novo palco de arte contemporânea

Durante três dias, o Museu Bienal de Cerveira, o Recinto da Feira, o Auditório Municipal e o Castelo recebem intervenções performativas assinadas por Xoan Xil, Ana Gesto, CLO PLAS (Xiana Arias e Berio Molina), Alejandra Balboa, Pavel Amilcar e Vacaburra (Andrea Quintana e Davide González). Embora se baseiem em linguagens distintas, todas as propostas exploram o território como um espaço vivo de circulação, encontro e transformação, cruzando performance, dança, música, oralidade, ação performativa e investigação artística.

Ao longo do percurso, o público é convidado a descobrir diferentes formas de habitar e interpretar o espaço público. Em “Ruar”, a dupla VACAburra transforma ruas e praças num percurso coreográfico e sonoro que recupera o ato de caminhar como forma de conhecer o território. Já Ana Gesto apresenta “Resonancias do baleiro”, uma criação concebida especificamente para Vila Nova de Cerveira, onde recipientes cerâmicos tradicionalmente associados ao quotidiano dão origem a novas relações entre objetos, corpos e contexto.

Em “Cuando le permito al cuerpo aquello que digo”, Alejandra Balboa e Pavel Amilcar cruzam dança contemporânea e música barroca para explorar a relação entre corpo, linguagem, respiração e escuta. Por sua vez, “Palco Placa”, de CLO PLAS, inspira-se na oralidade, na música e nas formas de convivência das comunidades rurais da Fonsagrada para criar um espaço de encontro onde intérpretes e público partilham a mesma experiência.

O ciclo culmina com “Treboar”, de Xoán-Xil López, uma performance inspirada nas antigas treboadas galegas e nas Zés Pereiras portuguesas. Através da percussão, a proposta recupera esses rituais comunitários numa leitura contemporânea, transformando o espaço público numa experiência coletiva de escuta e de relação com a paisagem.

Para além de assistir a um conjunto de performances, o público é convidado a integrar um percurso artístico que ultrapassa os limites do museu e reforça a dimensão participativa da Bienal. Ao estabelecer ligações entre artistas, músicos, coletivos e comunidade local, este ciclo faz da tradição um processo vivo, reinterpretado à luz das sensibilidades contemporâneas.

A arte como lugar de circulação

O ciclo integra um dos eixos estruturantes da XXIV BIAC, cuja programação articula exposições, projetos curatoriais, residências artísticas, cinema, performances e atividades de mediação cultural em torno do mote “Territórios sem Fronteira”. Partindo da condição transfronteiriça de Vila Nova de Cerveira e da sua ligação histórica à Galiza, a Bienal promove o intercâmbio entre artistas, saberes e comunidades, afirmando a cultura como um espaço de diálogo e circulação de ideias.

Recorde-se que a XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira decorre até 30 de dezembro, reunindo artistas de 22 países em diferentes exposições, projetos curatoriais e iniciativas que fazem da Vila das Artes um dos principais centros de criação contemporânea em Portugal.

Programa Ciclo de performances “Transbordo – Santiago de Compostela”
Local: Centro histórico de Vila Nova de Cerveira
Curadoria: Iñaki Martínez Antelo
Artistas: Ana Gesto, Clo Plas, Alejandra Balboa & Pavel Amílcar, Xoán-Xil López, VACABURRA (Andrea Quintana & Davide González), Xoán-Xil López
21–23 agosto 2026

21 agosto (sexta-feira)
Horário: 17h00
VACABURRA (Andrea Quintana & Davide González)
“Ruar”
Local: Praça da Liberdade (Terreiro), Vila Nova de Cerveira

22 de agosto (sábado)
Horário: 12h30
ANA GESTO
“Resonancias do baleiro”
Local: Recinto da Feira de Cerveira

22 de agosto (sábado)
Horário: 17h
ALEJANDRA BALBOA & PAVEL AMILCAR
Cuando le permito al cuerpo aquello que digo
Local: Castelo de Vila Nova de Cerveira

22 de agosto (sábado)
Horário: 21h30
CLO PLAS (XIANA ARIAS & BERIO MOLINA)
“Palco Placa”
Local: Museu Bienal de Cerveira, Auditório José Manuel Carpinteira

23 de agosto (domingo)
Horário: 12h30
XOÁN-XIL LÓPEZ
“Treboar”
Com a participação de Elsa Pereira e do Grupo de Bomboslinho de Nogueira
Local: Auditório Municipal de Vila Nova de Cerveira