Residências Artísticas 2017

Ava Serjouie-Scholz (DE)

Este projeto permitiu ao público participar na criação artística de um memorando cultural e de paz para a cidade. Os visitantes pintaram, em pequenos azulejos, os seus sonhos (um sonho de um mundo melhor), tendo estes sido usados para criar uma escultura. Através deste projeto, os participantes conseguiram experimentar o incrível momento da criação, a notável experiência de fazer algo criativo para tornar o mundo um lugar melhor. Esta é uma manifestação do maravilhoso poder da arte que leva pessoas de diferentes origens, raça, cultura e estatutos, a se sentarem juntas e participar no processo de criação. A pintura de azulejos é um projeto de arte comunitária adaptado para qualquer comunidade e também pode ser gerido como um projeto de arte intercultural para levar a mais cidades, países e culturas. Isso também ofereceu aos participantes a possibilidade de expressar visualmente os melhores valores da sua sociedade.

 

Tito Senna (BR) | Instalação, graffiti, pintura, performance e vídeo

Enquadrado no tema “Da Pop Arte às Trans-Vanguardas”, o projeto que desenvolveu tinha por objetivo a fusão da cultura erudita e a cultura popular, criando um diálogo entre esses dois mundos. Este diálogo teve como ponto de partida o artista, as suas redes gráficas, objetos, instalações e o meio envolvente de Vila Nova de Cerveira. Os pontos de pesquisa-chave foram as redes dos pescadores do rio Minho e a lampreia, tendo duas frentes de trabalho: “A Rede do Minhoto”, que consiste na criação de uma instalação artística que representa uma visão contemporânea das lampreias; e a “Boca da Lampreia”, uma vertente mais focada para a pintura, que surge através das caraterísticas deste peixe.

 

Joana Gomes (PT) & Carla Souto (ES) | Desenho, escultura, fotografia e vídeo

“Assim entre o que eu penso e o que tu sentes a ponte que nos une é estar ausentes” – excerto da letra da música Rosie do cantautor Fausto. O projeto que apresentaram nas residências artísticas partiu da forte relação de Joana e Carla. Conheceram-se em 2014 na Faculdade de Belas Artes do Porto e desde então têm vivido esta amizade à distância. De nacionalidades vizinhas (Portugal, Porto e Espanha, Corunha), têm viajado e trabalhado fora das suas fronteiras. Passado, presente e futuro não são artifícios de linguagem. O tempo desdobra-se nas costuras do ser. O tempo passa através delas. Cria-as e molda-as – tal como o rio Minho que corre entre Portugal e Espanha e cria uma fronteira invisível. Por coincidência ou não, Vila Nova de Cerveira fica a meio caminho das suas casas. As artistas propuseram-se a passar os dias juntas a observar, a desenhar e a caminhar pela cidade e pela natureza. Perceber como é que a fronteira ente os dois países influência o alfabeto dos habitantes da cidade. Conversar e gravar as respetivas conversas. Estudar mapas e cartografia dos Concelhos e investigar o lado de cá e o lado de lá do rio Minho. Atravessar as diferentes pontes que unem os dois países. De volta ao atelier, estudaram com cuidado todo o material reunido. Usaram as palavras como ponto de partida. Durante o restante tempo de residência criaram uma instalação de fotografia, vídeo, escultura e desenho que traduziu da melhor maneira a pesquisa e também a dualidade de quem a compôs. Duas pessoas, duas línguas, dois países.

 

Jayme Reis (BR) | Escultura

O objetivo do artista foi desenvolver trabalhos de pequenas dimensões coerentes entre si. Para seguir o cronograma, trouxe consigo pequenos suportes de chapa de gerro e de madeira, bem como alguns materiais do seu uso do quotidiano, tais como alicates, goivas, alguns pigmentos à base de água. Integrou as suas obras e objetos encontrados nas ruas e arredores de Vila Nova de Cerveira.

 

 

 

Sandra Roda (PT) | Desenho

Narrativas interrompidas – Bitáculas de Campo 

Nesta residência a artista propôs-se dar continuidade a um projeto em curso que tinha como base a reflexão sobre a atual clivagem entre paisagem cultural e natural e que denomina de “Narrativas interrompidas – Bitáculas de Campo”. Neste projeto recorreu essencialmente ao desenho de observação direta da paisagem. As bitáculas são mais que um caderno, são um corpo que reúne um processo de observação/ construção/ desconstrução/ reconstrução e que aglomera aspetos subjetivos sobre o local/ locais que percorre. Em Vila Nova de Cerveira realizou uma caminhada entre o Rio e a Serra, o percurso e as conversas com os locais que for encontrou foram registadas no caderno, sendo que nos restantes dias desconstruiu e reconstruiu a informação até ao objeto final, a Bitácula.

 

Anabela Sobrinho (PT/AU)

Com inspiração na Vila das Artes a artista desenvolveu, no atelier de desenho e pintura, esboços e quadros, escrever poemas e/ ou histórias, teceu e tricotou duas peças de vestuário, editou fotografias para exposição final.

 

 

 

 

Gonçalo Beja da Costa (PT)

O trabalho do artista focou-se no orgânico, no desgaste da superfície das coisas, no brilho do aço, do cobre, da madeira, ao brilho da terra vermelha. Um trabalho de mancha que se forma e se destaca no encontro da textura com a sombra, luz, e todos os seus desdobramentos. Trabalhos em papel, que se anunciaram como placas metálicas onde a ferrugem assenta e denuncia o tempo e o ar que transforma a superfície das coisas da terra. Um conjunto de obras que consistiram numa série de formatos variáveis que apresentaram aquilo, que à primeira vista, podia ser confundido com chapas de metal, com madeira, mas que de facto essa projeção somos nós mesmos. Tratou-se de um processo repetitivo que declinou uma totalidade e, nesse sentido, uma unidade. O seu trabalho focou um modo de pensar para o qual as formas artísticas são momentos privilegiados de reflexão numa possibilidade de produção artística nas suas modalidades mais diversificadas (seja através de pintura, desenho, fotografia, etc.), como campo de conhecimento e investigação que convoca um vasto conjunto de ferramentas, pela afirmação da pluralidade de meios, conceitos e abordagens. Sendo que, o objetivo maior, ao contrário de defender trabalho, é fazer trabalho. Houve lugar para o pensamento livre. As obras implicam por si só participação, no sentido em que o seu valor se cria e recria através das experiências que elas provocam.Como materiais a utilizar não dispensou: muito papel, tinta da china, Vieux Chêne, lixívia e uma máquina fotográfica.

 

Rosa Franceschino (IT)

Neste projeto a artista Rosa desenvolveu trabalhos de pintura sobre óleo e madeira, nas quais refez e reinterpretou algumas decorações e fachadas de azulejos. Nos seus óleos usou os azulejos como sujeitos e reinterpretou-os através da sua linguagem pictórica pessoal.

 

 

 

Ximena Sánchez (CO) | Vídeo e fotografia

Tiempo Saudoso 

Os laços emocionais que são gerados entre o espaço e uma pessoa em particular têm sido um tema recorrente na sua proposta plástica, e é por isso que quando ouviu uma versão sobre o porquê da palavra “saudade”, relacionado com mulheres que ficavam a olhar para o mar à espera que um barco chegasse, trazendo o regresso dos seus entes queridos, ficou preso na sua mente a ideia de esperar como um ato incondicional que se torna comum.“A saudade começou na aventura marítima dos Descobrimentos portugueses, na partida do sítio a que se chama casa, em todos os pequenos objetos e pensamentos que nos fazem viajar no tempo. Prolongou-se na escrita dos poetas de amores desavindos, entranhou-se na voz do triste fado lusitano. Existe mesmo sem ser possível encará-la olhos nos olhos. E é portuguesa porque mais ninguém a vive, sente, explica e transmite como o povo do “pedacinho de terra à beira mar plantado” (Bruno Marques 2013). Esta imagem da mulher que espera tornou-se um pequeno passatempo, pois tenta entender a condição temporal e espacial que envolve este gesto. Em Vila Nova de Cerveira propôs-se pôr em diálogo a espera, com a ideia de que a “saudade” encontra-se nos olhos das mulheres, que antes estavam fixados no mar. A paisagem portuguesa complementa a metáfora. Quis explorar esta temática durante o tempo de residência com duas ferramentas que foram a fotografia e o vídeo.

 

Apoio: República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes

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