Ação de formação | Educação Artística/Artes Plásticas | 18 setembro

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No dia 18 de Setembro, sexta-feira, pelas 14h30m, a Fundação Bienal de Cerveira vai promover a ação de formação: “Educação Artística / Artes Plásticas – Perspetiva psicopedagógica e reflexo na formação da personalidade humana”, dedicada especialmente à comunidade escolar, envolvendo desde professores, formadores, educadores e auxiliares, mas que será aberta ao público em geral.

sexta-feira, 18 setembro, 14h30, Fórum Cultural de Cerveira
Duração: 1h30m

A participação é livre e gratuita mediante inscrição prévia por email (gab.comunicacao@bienaldecerveira.pt), até dia 16 setembro.

 

 

EDUCAÇÃO ARTÍSTICA / ARTES PLÁSTICAS
A criança, o “primitivo”, o naїf e o artista contemporâneo
Expressão livre e criatividade

Em tempo de crise, as Artes não podem correr o risco de perder terreno no domínio da Educação. A Educação Artística ocupa-se do estado emocional e da formação da personalidade, desde a infância, através da expressão livre, que favorece inevitavelmente a criatividade e a auto-estima.
A avaliação da personalidade e do estado emocional da criança implica o conhecimento do “ideografismo” infantil, que revela mais o que ela sabe do que o que vê e a sua representação gráfica não desemboca necessariamente no “realismo visual”. Se o sistema educativo não a forçar, ela pode manter características subjectivas numa relação com o sonho, a imaginação e a fantasia (…)
No âmbito da Educação Artística, o professor é um agente promotor de alfabetização estética, aberto a novas formas de expressão e comunicação. Compete-lhe igualmente conhecer a psicologia da personalidade humana, da infância à adolescência e ao longo da vida.(…)
Importa ser sensível às diferentes formas de expressão, partindo do princípio que não há duas pessoas iguais, embora se possam encontrar afinidades espirituais e formais, influências inevitáveis dos autores que admiramos.(…)
Se a massificação cultural não respeita o que verdadeiramente nos distingue uns dos outros, ou a audácia de sermos originais, cada um à sua maneira, o artista é intransigente e coerente com a sua própria linguagem. Divergindo frequentemente da realidade prática, utilitária e objectiva, procura melhorar a sua relação com o mundo, que transforma através da criatividade. (…)
A criatividade é sinónimo de pensamento divergente, intuitivo e subjectivo, complementar do pensamento convergente, lógico e objectivo. Nesta perspectiva, a arte estabelece a relação entre o visível e o invisível; o real e o imaginário; o conhecido e o desconhecido. A Educação Artística procura o equilíbrio entre estas duas formas de pensamento. (…)
Não é a técnica utilizada que torna a arte relevante mas o que o artista é capaz de criar com qualquer técnica. Utilizando frequentemente materiais bastante acessíveis, a arte moderna contemporânea, mostrar-se tal como é e convida a fazer, sem segredos de atelier, como em tempos idos. Ao alcance de qualquer mão, contribui para desbloquear a criatividade, proporcionando diversificadas e surpreendentes formas de expressão, por vezes próximas do ideografismo infantil.
Também a natureza lúdica da criança aceita os mais diversos materiais e desperdícios para as suas brincadeiras e construções. O artista é uma criança crescida que, tal como a criança, encontra prazer no que faz, mas cuja experiência o torna mais consciente, exigente e interventivo no meio social, que não deixa de questionar. Ao contribuir para novas maneiras de ver, de sentir e de pensar, apresenta-se como um exemplo de idoneidade cultural.
Respeitando a expressão livre é possível a realização de surpreendentes trabalhos individuais ou colectivos, através de técnicas que estimulam a criatividade, como a exploração do acaso, a livre associação de imagens e muitas outras que o professor, sensibilizado e informado no domínio das artes plásticas, poderá engendrar e sugerir oportunamente aos seus alunos. Não se trata de “receitas”, mas de caminhos caminhos possíveis, que proporcionam o estímulo para a descoberta de novas “linguagens”. Não deve confundir-se a Educação Artística com a mera aplicação de um conjunto de “receitas” que frequentemente conduzem à cópia e a formas estereotipadas ou convencionais de representação.
Os Programas devem adaptar-se ao aluno e ao seu desenvolvimento e não o aluno aos Programas. O professor tem autoridade pedagógica para os interpretar e, se necessário, alterar, em favor de uma prática docente mais adequada ao desenvolvimento da personalidade dos seus formandos.
Reconhecido o importante papel da Arte na formação da personalidade, a Educação Artística não pode deixar de figurar como componente essencial dos Programas escolares nos vários graus de Ensino, desde o Jardim-de-infância ao Ensino Superior.

 

Dalila d’ Alte Rodrigues

 

Sobre a formadora | Dalila D’Alte Rodrigues
Dalila D’Alte é pintora e investigadora no CIEBA (Centro de Investigação e Estudos em Belas-Artes), Faculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa (arguente e orientadora de Teses de mestrado e doutoramento no âmbito da Educação Artística). Encontra-se registada na F.C.T. Licenciada em Artes Plásticas, Pintura, Faculdades de Belas-Artes, Universidades do Porto / Lisboa. É Pós-graduada em História da Arte, Universidade Nova da Lisboa) e doutorada em Ciências da Arte, Faculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa.
É autora e colaboradora de várias publicações: Livros, Antologias, Revistas Educativas, Literárias e Artísticas, Congressos, Conferências, Seminários, Acções de Formação, Ateliers de Expressão Plástica e “Visitas Guiadas. Co-autora com Eurico Gonçalves de “A Criança Descobre a Arte”, 3º Vol. Lisboa: Raiz Editora, 1993 (colaboradora no 2º volume); Autora da 1ª e 2ª edição de “A infância da arte / A arte da infância”, Edições Asa, 2002 (a publicar a 3ª edição acrescentada e actualizada).
Foi professora convidada de “Artes Contemporâneas” na Universidade Lusófona de Lisboa (2010-2013). Integrou os Corpos Gerentes da S.N.B.A., Lisboa, 2002-2013, tendo sido, igualmente, professora de Educação Visual, Ensino Básico e Secundário (1970-2009), Prof. de Expressão Plástica, ESE., Lisboa,1998-2000 e professora de Educação Visual e Tecnológica, Instituto Piaget, Almada, 1995-1996 / 1997-1998.
Foi colaboradora permanente no CAI (Centro Artístico Infantil / Fundação Calouste Gulbenkian), 1985-1999 e CAM (Centro de Arte Moderna FCG), 1996, com “Visitas Guiadas” a grupos escolares e orientação de Ateliers de Expressão Plástica (teoria e prática) para crianças, jovens, educadores, professores e público em geral.
Foi Professora de História da Arte no Centro de Formação da R.T.P., Lisboa, 1993,1994, 1995. Destacada pelo Ministério da Educação, para o Serviço de Orientação Escolar, Lisboa, Direcção Geral do Ensino Básico e Secundário, 1982. Foi Monitora de Serigrafia (1978-82) e membro do Grupo “Série”/Oficina de Artistas Impressores na Escola Superior de Belas-Artes do Porto (1981/82).
Realizou experiências no âmbito do Cinema de Animação, tendo sido bolseira no “Centre Culturel Damians”, França, Ministère du Temps Libre, 1981. Participou em vários Júris Regionais e Nacionais de Arte Infantil .
Orientou Ateliers de Expressão Plástica e Cursos de Formação, para crianças, jovens e adultos no Centro Cultural de Belém, Fundação Serralves, Osnabrück (Alemanha) e Bienal Internacional de Vila Nova de Cerveira, entre outros.
Como artista plástica, expõe desde 1978, estando representada em Coleções públicas e particulares.

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